24/08/2009

Incondicional

Bicho pra mim, principalmente os meus, são uma cura pro mau-humor. Não há coisa melhor ue acordar com minhas cachorrinhas em cima de mim, pedindo carinho (e comida) assim que o sol nasce. Ou quando chego cansada do trabalho ou de viagem, me recebem com uma alegria desesperada. Deitam no meu colo, dormem, roncam, sonham.

Lola Maria em um momento de introspecção


Deborah Harry, em um momento de fofofização

É amor pra todo lado.

No entanto, ter bicho é responsabilidade. Tem que cuidar, alimentar, vacinar. É gasto sim, mas o afeto que recebemos em troca não tem valor de medida.

E vamos lá, responsabilidade é uma coisa que nem todo mundo tem. Descobri que a maioria do animais que vivem na rua, são abandonados por seus donos. Pensa só, centenas de cães recolhidos semanalmente em São Paulo um dia foram animais de estimação. Não entendo o que passa na cabeça de uma pessoa que do nada abre a porta pra rua e fala pro bicho "Vai! E não volta mais!".

Para conscientizar os proprietários de animais sobre Posse Responsável a Prefeitura de São Paulo lançou um projeto ótimo chamado PROBEM, sediado nesse site aqui. Ali, além de dicas e um teste que verifica se você está apto ou não a ter um bicho, o site também tem um espaço de adoção bem bacana.


Lembrando que todos os animais (gatos e cachorros) que estão ali para adoção passam por avaliação comportamental, são vacinados, vermifugados, castrados, registrados com RGA e também microchipados. Ou seja, são saudáveis e prontos pra receber um novo lar.

Entrem, recomendem e passem pra frente. A causa é mais que nobre.

12/08/2009

Láiti

Fui comprar pão e frios ontem no mercado.

Lá estava eu em busca dos elementos saborosos para montar um sanduíche. Eu nem sou muito exigente. Gosto de pão sem casca, presunto gordo e queijo (requeijão no meio). Fui até a seção de pães. 128 tipos diferentes. Desses, 126 eram LIGHT. Okay, quero um pão normal, não light. Cadê?
Vasculhei aquela montanha de pães de cereais, zero trans, de linhaça, de papelão, de algodão colhido por monges da Antuérpia. Achei, enfiado no canto, o pão sem casca NORMAL que eu comi a vida toda.
Lá vou eu para os frios. Oi, 200 gramas de presunto gordo? "Num tem". Cumé? É blanquet de perú, perú defumado, coisa rosa clara sem gosto. Quero presunto com capa de gordura, OI GURDUUURA!?

Num tem, sua mulé sem ética e amor pela vida.

Opa peralá, eu tenho muito amor à vida. Tanto que aprecio vivê-la saboreando o prazer de um presunto com capa de gordura. E uma cerveja gelada. Quer amor maior do que esse?

Porra, vai abraçar um brócoli.

Where do I begin

Onde eu estava desde o dia 22 de abril de 2009 até hoje?

Digamos que eu estava colocando minha vida no rumo. Completei 28 anos, tô morando em São Paulo desde 2005 e ainda me sentia presa a coisas que não estavam evoluindo. Eu era um hipopótamo no charco.

Eu tenho essa mania de ir desacelerando meu ritmo, de ir ficando confortável, aninhada e, vamos dizer a verdade, imóvel.

Felizmente, minha outra mania é "A REVIRAVOLTA".

The fucking TURNABOUT.

Como em um roteiro tosco do Shalayman (Bruce Willis was dead!) eu gosto de pular pra fora do charco e sair correndo feito uma hiena louca sem rumo. Só pra agitar as coisas um pouco.


Vamos dizer assim: é importante ficar em período de "decanto", parada, esperando as impurezas descerem e depois sorver o que sobrou na parte de cima do copo. É isso que eu estou fazendo (tentando).

Emprego novo, amor novo, idéias novas. Quero me cercar de coisas boas. Não que as ruins não tenham acontecido (acreditem, desde abril até agora, elas aconteceram). Mas vou naquelas: Hiena louca tá virando lince.

Paradinha, ali atrás. Quando tem que correr, é pra pegar.

Ah sim voltei. E minhas infinitas comparações também. Estamos todos aqui.

Pra arrematar, Bootsy Collins + Zoobombs.



Funky movin'. That`s the way I roll.

22/04/2009

Com certeza, ninguém merece

Todo mundo quer parecer cool, esperto. inteligente, gente boa, simpático e genericamente retardado. Então montei uma pequena lista com...

Algumas respostas genéricas idiotas que me fazem querer vomitar bile no chão:

"Um defeito? Sou perfeccionista."

Típica resposta de alguém que realmente acha que não tem defeitos. Neguinho é incapaz de dizer "sou egoísta, sou grosso, eu não gosto de tomar banho, eu bebo pinga quando acordo". Tem suas variantes para "sou metódico" ou a sempre boa "um defeito? meu pau é grande demais".

"Odeio falsidade"

Arrá! VERDADE?A pessoa podia odiar coisas odiáveis mas menos clichês como "odeio entrar em banheiro fedido" ou "odeio quando me dão o troco errado e eu só noto depois". Mas a falsidade, ah essa é pior que tomar uma lufada de vento fedido ao adentrar no toalete. Falsidade a gente contorna, já o fedor, não tem pra onde correr. Troco errado? Perdeu irmão. Perdeu pra sempre.

"Não me arrependo de nada do meu passado"

Olha, acho que essa é uma das que mais me irritam. Você realmente acha que um ser humano não se arrepende de absolutamente nada? Não se arrepende de ter comido aquele torresminho que deu azia? De ter abastecido o carro naquele posto com gasolina alterada que destruiu o motor do carro? De ter ligado por engano na casa da tia e ficou ouvindo horas sobre como a pereba do pé dela piorou? Me poupem.

"Adoro sexo!"

Essa é a resposta de alguém que quer chocar os telespectadores sendo "desprovido de pudores" dizendo uma das maiores obviedades da humanidade. Amigo, nós todos tanto gostamos de trepar que milhões de anos depois evoluímos nossa existência apenas com o intuito de trepar mais.


17/04/2009

Propaganda investigativa.

Estou na sala vendo TV. Ouço um barulho na porta de entrada. Quando me levanto surge no corredor uma equipe inteira de filmagem. A repórter, de jaleco branco, enfia um microfone em minha cara. Antes que eu possa dizer qualquer coisa ela pergunta, falando rapidamente:

- Que tipo de alvejante você usa em suas roupas?

Confusa, eu não sei o que pensar, as luzes me deixam tonta, a câmera focada em mim:

- Que porcaria é essa aqui na minha sala? Como vocês entraram?

- Você sabia que a maioria dos alvejantes destrói as fibras...

- Que alvejante? SAI DAQUI AGORA FILHA!

Eis que a repórter pega uma taça de vinho e joga em minha camiseta.

- MAS QUE PORRA? Você fumou crack? Vou chamar a políc...

- Com o novo alvejante VIVAZ você elimina manchas e ainda preserva o tecido!

Eu fedia vinho tinto vagabundo. A repórter começou a preparar um balde com água bem ao lado da poltrona sorrindo para a câmera afirmando vorazmente:

- Prático! Veja como dissolve fácil!

Eu olho para os lados, buscando o telefone ou algum objeto contundente para bater naquela repórter imbecil e quem sabe fugir pela rua, buscar ajuda.

A repórter se vira para mim. Ordena:

- Sua camiseta por favor.

- Moça, me explica o que é isso tudo? Onde... Porque...

- Vamos eliminar essa mancha em apenas alguns segundos. Aí nós vamos embora.

Ela me olhou com firmeza. Acuada, tirei a camiseta, cobrindo meu corpo com os braços, entreguei a peça encharcada de vinho, tremendo.

A repórter, com seu jaleco alvo e brilhante, colocou a camiseta dentro do balde transparente. Eu observei a camiseta boiar e efervescer, com uma imensa vontade de chorar.

Ela tirou a camisa, levantou para a câmera.

- Veja a eficácia de VIVAZ bem em frente aos seus olhos!

A câmera foca em mim. Eu sorrio nervosamente, faço um sinal positivo.

Ela me entrega a camiseta pingando. Pega o balde e sai com toda a equipe por onde entrou. Eu me sento, semi desnuda, segurando a camiseta molhada. Eu não sei que acabou de acontecer.

No dia seguinte, acordo pensando que não é bom comer mortadela antes de dormir porque dá pesadelo. Entrei no banheiro. Asim que abaixo as calças, uma equipe de filmagem abre a porta do recinto, de solavanco. Luzes cegantes, o microfone em minha cara. Agora é um homem com o cabelo cheio de gel me pergunta:

- O que você faz para eliminar os maus odores do seu banheiro?

Antes que eu possa fazer qualquer coisa, ele espirra um líquido com cheiro de lavanda em cima de mim. Eu estou com as calças abaixadas. E cheirando a lavanda.

Malditas propagandas investigativas.

02/03/2009

Ausente por estar doente

Não escrevo nem aqui nem no Shoe-me há mais de uma semana. Fato: eu estou doente. Desde quinta-feira, antes do Carnaval, tenho me sentido muito mal fisicamente.

O que eu tenho é um troço chato causado por minha chatice. Vamos entender:

Eu sou uma pessoa tensa. Naturalmente nervosa. Digamos que meu cérebro funciona em ritmo de Death Metal e não e uma sonata para piano em ré menor. Sendo assim, eu libero quantidades altas de adrenalina nos meus músculos, que ficam retidos e tensos também. Aconteceu com meu pescoço:

Os músculos e nervos estão ultra inflamados, o que me causa uma dor muito forte no pescoço e nos ombros:



A tensão muscular se expande e me causa dores de cabeça descomunais. Dessas de chorar.



Devido à inflamação, a cirulação sanguínea no meu cérebro ficou prejudicada, o que me causa vertigem constante e tremedeira.

Então, há mais de uma semana eu tenho todos os sintomas constantes de uma ressaca do CACETE e eu não bebi uma gota de álcool. Coisa boa. Já estou medicada, mas não me sinto melhor. Só ontem a dor melhorou um pouco: Fui ao hospital, tomei na veia um litro de soro com relaxante muscular e fiquei chapadíssima. Voltei pra casa e fiquei sentada no sofá da sala tendo literalmente, alucinações.

Desculpem a falta de disposição para escrever. Realmente estou com muita dor. Volto o mais breve possível.

16/02/2009

No meio da testa

Então que eu entrei agora no meu blog e vi uma série de comentários abusivos e abrasivos. Okay, certo, beleza vamos entender uma coisa. Eu tenho esse blog desde 2002. Motivos para isso? Meus. Esse blog é de quem? Meu. Tem gente que entra aqui? Opa se tem. Tem gente que vem de todos os cantos do Brasil e do planeta. Como? Isso aqui é internet negada, é a festa. Tem gente de todo tipo. A capacidade mental de cada um não impede de vasculhar a rede, o que pode causar obviamente, alguns distúrbios maiores. Eu estou acostumada. Escrevo na rede desde muito cedo. Trolls, malucos, invejosos, dementes, gente que discorda, gente educada que discorda, gente. Gente é esse bichinho que como Darwin consagrou, veio de uma ameba. E certamente muita gente ainda age como ameba. Evolução baby. Ela não é perfeita.

Agora calma lá. Dedicarem momentos do seu dia para entrar aqui e jogar merda na parede?

Eu entro em dezenas de blogs, todos os dias. Alguns acho bons, outros meia boca. Os absolutamente ruins, que me incomodam, eu nunca mais visito. É como se eu estivesse em restaurante onde servem todos os pratos com pedaços de pêssego em calda. Tem gente que gosta. Eu não. O que faço? Não volto mais, não gostei. Isso é liberdade. O sujeito tem direito de enfiar pêssego na feijoada? Tem. O retaurante é dele. Você gosta? Problema seu. Volte lá ou esqueça. Pronto, fim, vamos seguir a vida e comer em outros lugares.

Agora você volta no lugar. Entra. Chuta as mesas. Ofende o cozinheiro. Ofende os outros clientes. Cospe na cara do dono. Caga nas paredes. Vomita nas panelas. Faz piquete na porta. Compra gasolina. Quer botar fogo no lugar, acabar com tudo o que existe ali. Simplesmente porque aquilo não condiz com seu gosto pessoal. Porque aquilo tudo te incomoda e mesmo assim você continua entrando lá, comendo macarrão com pêssego em calda porque precisa alimentar seu ódio, em um masoquismo irracional. Depois que come quer reclamar. Quer comer e dizer "tá vendo? tá vendo? é uma merda, vou acabar com você". Por favor.

Isso é uma atitude de uma pessoa com o mínimo de civilidade?

Isso é deselegante. Isso é animalesco. Isso reflete falta de caráter e educação mínima. Eu não conheço vocês, desculpem. Como vocês me julgam, eu também os julgo pelo o que me escrevem. Mas nunca vou entrar em seus blogs para ofendê-los. Não vou perder meu tempo criando brigas imaginárias, digitadas furiosamente em teclados. É uma grande bobagem.


Meu namorado sempre diz: Não alimente trolls. Eles voltam. Eu sei. Não estou alimentando. estou apenas direcionando os malucos pra longe de mim. Tentando racionalizar e explicar que discordar de uma pessoa ou de uma coisa não significa vir com um balde de merda na mão. Eu estou aqui, sentada, escrevendo. Você está sentado, aí, lendo. Achou uma porcaria? Eu sou uma porcaria? Então saia do meu estabelecimento. Você foi livre pra entrar, é livre pra sair. Mas não é livre pra cagar aqui.

Cara, tô na rede há anos. Uma longa jornada conhecendo trolls dos mais diversos tipos, sofrendo ataques de todos os níveis. Eu nunca quis moderar esse blog. Achei que não precisaria.

Agora preciso. É meu. Tem doido demais nesse mundo. Eu quero que eles fiquem bem longe de mim. Mais uma vez, tudo o que disserem soará basicamente assim em meus ouvidos:




Nhamnham hnhaaam nhannhm mannhmnha nhnhanahn aihnnhanianain.


PS: Aos leitores que me defenderam, obrigada, mas não alimentem os animais, por favor.

10/02/2009

Meme? Mimimi

Acho meme um tanto cafona. Nada contra, mas geralmente a gente faz quando não tem nenhuma idéia para escrever alguma coisa. E meme é aquele troço, todo pessoal, mimimi, egocêntrico, sem muita função, meh meh meh. Eu já fiz, admito. Exatamente porque estava sem nada pra escrever e passando por momentos "minha vida, meu brógue".

No entanto, meu hômi me passou um "meimi" e para não gerar conflitos, eu faço. Mas faço curto e grosso.

Seis segredos sobre minha pessoa pessoal, pessoalmente:

1 - Eu não entro no mar. Entro até as canelas, no máximo. Tenho um misto de medo e nojo, aquela água salgada com cheiro de peixe. Adoro praia, mas não me façam entrar no mar. Prefiro me refrescar no chuveiro de água doce, beber cerveja e comer camarão. Na sombra.

2 - Eu gosto do Pepeu Gomes.

3 - Eu tenho um pouco de estrabismo no olho esquerdo. Fiz tratamento qundo era criança. Usava aquele tampão indecente. Melhorou bastante, mas não é um olho 100% - é meio torto.

4 - Eu dou risada quando sei que vou sentir dor. Principalmente quando depilo a virilha. Eu fico rindo enquanto sai lágrima do olho. Outro dia fui tirar sangue e fiquei rindo, a pessoa perguntou se eu usava drogas.

5 - Eu torço pro São Paulo FC porque quando era criança achava que era o time do Estado. Corinthians era do Rio de Janeiro, Palmeiras de Santa Catarina, e mais uma zona de times e estados que nem lembro mais. Não faz sentido algum, só fui descobrir a verdade aos 11 anos. Até então nunca entendia porque meu avô era palmeirense.

6 - Eu não sou boa para contar meus segredos. Guardo segredos extremamente pessoais desde os sete anos. Foi quando descobri que nessa vida é bom nunca falar tudo o que somos. É desnecessário e pode ser desagradável - podem chocar, magoar. Deixo algumas coisas bem guardadas. Mas nada grave, são só alguns assassinatos em série e... Ops.

06/02/2009

Garota pelada rolando pela escada



Foi assistindo esse vídeo, aos 13 anos que ouvi Cramps pela primeira vez. Fiquei para em frente à TV vendo um homem de salto alto e roupa de látex vermelha. Me apaixonei por Lux Interior.

Ontem ao receber a notícia que ele tinha morrido na manhã do dia 4 comecei a chorar sem parar. Chorei ouvindo The Cramps a manhã toda. Eu nunca verei ao vivo banda mais foda que já existiu no mundo. Veja bem, o mundo tem dezenas de bandas boas. Mas The Cramps não é só uma banda "boa". The Cramps é tudo o que o rock deveria ser.

Em sua pura essência, Cramps resgatam o princípio do rock e o transformam na coisa mais selvagem do mundo da música. Não há letras corrosivas, depressivas, importantes. Sua música fala de monstros, de drogas, de mulheres de biquini segurando metralhadoras. E de garotas peladas rolando pelas escadas.

O rock fazendo o que deveria fazer: eu dançar convulsivamente e não me importar com mais nada além disso. Porque deveria? Isso é rock&roll PORRA!

Exaltaram essa loucura até o último grau da fodelança. Dezenas de bandas surgiram por causa deles. Não há como classificar exatamente o som que fizeram. É rock, rockabilly, é punk, é freak, é surf, é demente.

E ontem, enquanto eu bebia em um bar às 5 da tarde, tocou Cramps na rádio sintonizada nas caixas de som. E eu novamente, chorei sem parar. E ouvindo Cramps agora chorei muito mais uma vez.

Pra mim é como se Elvis tivesse morrido de novo.

Se Elvis é o Rei, Lux Interior é o Arquiduque do rock.

Por causa dele, eu vou amar rock pelo resto de minha vida.

Não descanse em paz Lux. Just keep on rocking.




Desculpem, vou chorar de novo.

03/02/2009

Porque ando entediada feito um peixe dentro de um copo

Apesar de tudo, eu tento me divertir.



Georgie Fame And The Blue Flames cantam Yeh Yeh.

27/01/2009

Linguagem corporal

Hoje eu cheguei para o meu útero e disse:

- Desculpe, não gerarei filhos este mês.
- Não?
- Nope.
- Então você vai sangrar!
- Opa, peralá, vamos resolver isso de uma maneira mais amigá...
- Você vai sangrar! E sentir muita dor!
- Mas isso não é...
- Cale a boca. Vai sangrar por 5 dias. E antes disso vai ficar inchada, gorda e sensível!
- Calma, que radicalis...
- E ficará desequilibrada emocionalmente!
- Mas eu não quero filhos agora e...
- Shhh! Eu sou teu útero! Obedeça. Senão mês que vêm atraso tua menstruação de novo só pelo prazer de ver teu desespero.
- Útero filho da puta!

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Conversando com meu fígado outro dia:

- E aí rapaz? Vamos pegar uma birita?
- Eu to me recuperando ainda. Faz só dois dias que...
- Ihhh fígado, sinto muito, já marquei o programa. Não adianta reclamar.
- Olha essa fama de órgão regenerativo não me apetece mais, quero férias.
- Eu é que não vou passar a noite toda bebendo água de coco meu filho.
- Faça como quiser. Eu tenho amigos, você sabe...
- Não, por favor...
- É isso mesmo. Vou ordenar uma ressaca geral, até os intestinos farão parte de minha revolta!
- Eu aguento!
- Isso é o que nós vamos ver. Amanhã colega, até amanhã
- Seu miserável! Vou comprar 5 ampolas de Epocler !
- Tente me impedir de te fazer sofrer! MUAHAHAHAHA!

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Certa vez tentei me socializar:

- E aí vesícula, beleza?
- Hum hum
- Tá quieta hoje hein?
- É.
- Trabalhando muito?
- Nah.
- Quer fazer alguma coisa?
- Não to muito afim.
- Amanhã?
- Pode ser.
- Tá certo, fica aí sozinha então. Depois não diga que não te chamei quando te removerem cirurgicamente.
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Fábula

Então que eu estou jogando Fable2 no Xbox360 e tenho achado, até o presente momento, bastante divertido. Na medida do possível. Veja bem, Fable é um jogo onde você decide se seu personagem será uma pessoa boa ou má. Se ele será forte ou inteligente, bonito ou assustador. Tudo depende das suas escolhas e ações. Até nada inovador, já existem dezenas de jogos assim.

Eu escolhi, obviamente, ser uma mulher. E tenho sido razoavelmente boa. Não sou uma santa, mas também não mato os padres no monastério da floresta. Tento manter meus poderes equilibrados entre força, destreza e magia. Não quero ser uma mulher bombada, mas fracote é ruim em lutas corpo a corpo. Compro geralmente bons rifles porque adoro atirar à distância, mas muitos inimigos pulam bem na sua frente, então mantenho umas armas pesadas comigo. Tenho um belo machado ceifador e até clavas. Até aí okay.

O problema é Fable é que minha personagem é gorda. Ela ficou gorda porque consumo alimentos gordurosos para recuperar energia. Em minhas pancadarias desenfreadas em cavernas e montanhas tomadas por monstros e bandidos, minha personagem se refastela em tortas e pedaços de carne suculentos. Fico imaginando minha gordota encostada na parede, segurando aquele machado cheio de sangue em uma mão e na outra socando um pedaço de torta de frango na boca enquanto espera o ataque inimigo.

Ela está bem gorda e suas roupas (que gastei um bom dinheiro para comprar) não caem bem. Nada cai bem nela. Sem contar as milhares de cicatrizes que surgiram em seu corpo, inclusive uma gigantesca que atravessa do queixo até a testa. Tive que cobrir um um tapa-olho. As cicatrizes são impossíveis de tirar. Acontecem porque eu entro em lutas o tempo inteiro.

Então, minha gordinha caminha pelo cenário, peidando, arrotando e dançando (sim ela pode, basta eu dar um comando) usando roupa apertadas, um tapa olho, portando um machado gigante e um rifle, presos nas costas. Ainda assim (!!!) ela recebe várias cantadas e ofertas de casamento porque é uma heroína que salvou vários vilarejos de bandos de monstros e assassinos. Estátuas foram erguidas para ela. Estátuas de uma gordinha feliz em pose heróica.

Em Fable (como na vida real) posso fazer dieta. Basta comer salsão. Muito salsão. Por dias seguidos, tenho comido somente salsão. A personagem voltou a ter cintura. Agora em meu inventário só tem cenoura, salsão e tofu. Deixei de fazer missões, deixei de salvar o mundo de maléficos vilões. Agora só jogo Fable para emagrecer minha personagem. Essa é minha grande batalha.

Questão de honra. Isso meus amigos, é coisa de mulher.

Para quem não conhece, um trailer do jogo:

26/01/2009

Pare de sufrir

Ontem estava assistindo The Wrestler de novo eis que no meio de uma cena meu homem diz "A IGREJA UNIVERSAL!" e eu "Hã?"

Eis que vi:

Ali atrás: a pomba, o coração, o slogan, a arquitetura estilo escola de design Edir Macedo.
É Mickey Rourke, quem diria, não?

Quem sabe o filme tomava outro rumo se o Rourke entrasse ali e começasse a crer no poder do Senhor passasse a frequentar semanalmente a "Vigília da Libertação"?



22/01/2009

Meu próprio Niko Bellic

Eu estava sentada na sala e meu irmão jogava GTA4 no Xbox. Desde que vi o jogo pela primeira vez notei uma incrível semelhança entre o personagem principal Niko Bellic e meu avô paterno, o "vô" Miguel.

Vovô?

Se você joga videogames até hoje sabe quem é Niko Bellic e GTA4. Se não sabe, entenda que Grand Theft Auto é um dos maiores fenômenos da indústria de games há anos. Não vou explicar do que se trata, existem centenas de sites de games que explicariam com riqueza de detalhes.

O fato é que até as roupas são iguais as que meu avô usava, a barba por fazer, casacos de nylon, blusões de lã com cores horríveis e até o modelo de óculos quadrado idêntico ao do Miguel. Meu irmão também já havia notado a semelhança. Tanto que chamamos o Niko de Miguel por brincadeira. Meu avô não andava com uma pistola semi-automática explodindo postos de gasolina como o Niko, é verdade.

Não tive a oportunidade de conhecer meu avô muito bem. Por motivos de estranhamento familiar mútuo, pouco convivi com meus avôs e não lembro bem deles, só durante minha infância. Mas meu avô paterno até hoje resguarda em minha memória uma aura "caminhoneiro casca dura" que não consigo desvencilhar nunca.

Miguel ToyArt

Ele tinha manias engraçadas e um jeito "macho ao extremo". Isso podia ser ruim para a família dele, não sei ao certo deste passado. O que tenho gravado é uma caricatura de um caminhoneiro que comia cebola crua como quem come maçãs, quebrava nozes com os punhos no Natal para os netos ficarem extasiados - o super avô maluco com um bíceps maior que o de qualquer jovem da família. Ele arremessava os netos para o alto, "brincava" de queda de braço. Meu avô era o "Falcão" com um boné da Volvo.

Não tenho fotos escaneadas dele ainda, mas tenho uma da mão dele dando cerveja pro meu irmão em 1980. Ali atrás meu tio Edson berra "vira aê moleque!". Meu irmão não sabe beber até hoje.

Um dia meu avô Miguel me levou para dar uma volta no branco caminhão dele. Fiquei feliz em ver uma foto minha na boléia. Na foto eu estava em um parque, brincando no balanço. E tinha uma do meu irmão sorrindo no meio de árvores. Meu avô tem dezenas e dezenas de netos porque tem oito filhos homens. Mas os únicos netos na boléia eram eu e meu irmão. Na verdade nunca entendi essa preferência. Meu avô me colocava sentada em seus ombros e me chamava de rainha.

Quando somos crianças vemos as pessoas como caricaturas. Quando crescemos percebemos que as nuances são bem mais difíceis de entender. Meu avô era na verdade um homem rude e grosseiro que não media palavras para ofender as pessoas. Mas isso eu nunca conheci nele. Então a imagem que tenho na memória é mais "lúdica". Eu amo o avô que conhecia e não o que ele era de verdade. Miguel tinha mania de falar muitos palavrões e seu bordão favorito era "você é um bosta". Essa frase ele soltava sem pudores, na mesa do jantar, em frente à família. Minha avô tentava controlar dizendo "olha as crianças Miguel" mas a gente nem ligava. Aliás achávamos engraçado meu avô falar "bosta" com tanta vontade.

21/01/2009

Chapinhado

Outro dia estava ouvindo uma música interpretada pelo Lou Reed onde ele diz "sweeter than wine". Depois fiquei lembrando de várias músicas onde já ouvi "sweet wine" como sendo uma coisa boa e sensual. Tem uma música do Cream interinha dedicada ao maldito "sweet wine.

Não sei como pode ser isso, vinho doce é Chalise, Chapinha, Sangue de Boi, São Judas...

Fiquei imaginando o Lou Reed fazendo pose tomando vinho Chapinha em copo de requeijão.

Vinho doce é coisa de adolescente que sai de casa com 15 conto no bolso: tem que dar pra comprar um maço de cigarro e a bebida. O quê vem em garrafas grandes a preços módicos? Vinho. Tirando marvada pinga Jamel, que molecada hoje em dia sabe que morrer de cirrose aos 22 anos não é legal. Eles compram garrafas de vinho doce vagabundo.

Não sei porque tantas bandas resgatam esse tal de "sweet wine". Talvez eles lembrem da juventude regada a ressacas licorosas, as piores DO PLANETA.

Suco de uva Del Valle com cachaça seria melhor do que vinho tinto doce de mesa São Judas.

A música que me fez ficar pensando em vinho doce e Lou Reed é This Magic Moment:



Tá na trilha do filme Estrada Perdida como podem ver. A versão original é de 1960, cantada pelo sempre ótimo Ben.E.King e The Drifters:



Seja lá qual for sua versão favorita, não existe um momento mágico quando tomamos vinho doce.

Existe o momento "segura aí que eu vou gorfar ali atrás".